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 Velvet Secret

Velvet Secret
Queima das Fitas, Coimbra, Maio 2007
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INCENDIÁRIOS EM DISCURSO DIRECTO
Sexo, Álcool e Labaredas

"É do sexo masculino, relativamente jovem, solteiro e sem encargos familiares. De baixo estrato social e económico, tem um nível de instrução rudimentar. É natural e residente na área onde comete o crime. Actua só, durante o dia, utiliza meios banais. Confessa o delito e o modus operandi. Não tem antecedentes criminais".
Perfil do incendiário florestal, desenhado em 1982 pela Polícia Judiciária.

"Esses traços servem para caracterizar 75 por cento da população prisional em Portugal, não individualizam o incendiário" — sustenta Rui Abrunhosa, investigador na área da psicologia da justiça.
O fogo tem duas caras, lembrou Bachelard, o bem e o mal à uma, rostos do logos que Heraclito de Éfeso escavou, para nele dar primazia ao fogo. A culpa aponta dedo acusador a Prometeu, que um dia, no Olimpo, roubou um pouco de fogo do sol para dar vida aos homens. Alguns destes expiam penas no purgatório das prisões lusas. Têm todos o mesmo rosto "oficial" — esculpido na tocha que os políticos agitam Verão sim, Verão sim: cara de monstro, costas grandes o bastante para suportarem o peso do braseiro que é hoje a imagem de marca da estação pateta; manápulas indecentes, longa manus que leva o fósforo ao pinheiro mais recôndito, impedindo criminosamente que ele — o pinheiro — um dia seja árvore de Natal.
Descemos às prisões, dando-lhes, aos incendiários, liberdade de traçarem o seu perfil em discurso directo.

"FAÍSCA" JÁ ESTAVA UM BOCADO QUENTE,
A FERVER COM O VINHO

"Faísca" é alcunho de criança, nasceu em Poiares há 29 anos:
"Derreti o dinheiro todo cá em Coimbra. Cafés, discotecas, cheguei a dormir em apartamentos com malucas, só com putas. Aluguei um Renault Turbo, ia para a Figueira, para Quiaios, para Lisboa. Tinha uma carta espanhola falsa, 30 contos. Conheço os sinais, não sei é dizer o nome deles. E sei fazer as rotundas e tudo".
Enquanto estoirava os 200 contos que jura lhe terem sido entregues por um madeireiro, ardia "a zona toda de Poiares":
"Foi o maior incêndio de Portugal. Ainda bem que não morreram bombeiros nenhuns".
Estava um Verão "muito quente", o negócio fez-se na adega do homem das madeiras:
"Eu já estava um bocado quente, a ferver com o vinho. Depois, num sábado, todo o pessoal a tomar a sesta, cortei uma vela aos bocaditos, nunca pensei é que ardesse tanto. Será que vou desgraçar alguém?, ai que apanho prisão perpétua!"
Tinha 22 anos, foi condenado a 13, já saiu de precária:
"Fui bem recebido. Hoje têm mais respeito por mim".
Se calhar é medo. Teve juízo quando guardou a caçadeira empanturrada de pregos ferrugentos cortados aos bocaditos. Queria espetar os que o denunciaram, diz-nos os nomes de cada um e as aldeias onde vivem. O tempo de precária que guarda para a noite coimbrã dá-lhe de beber ao ego:
"Os que saem comigo na precária ficam de boca aberta. Como é que o 299 conhece tanta maluca cá em Coimbra!"

FOGO POR MOR DA MULHER, DO AMANTE E DE NUNCA OS APANHAR EM FLAGRANTE

M. é de Bustos, Oliveira do Bairro: "Bustos tem sido a minha morte!" — assim nos revela o seu bilhete de naturalidade.
Condenado pela primeira vez em 1989, saiu em 93. A mulher da sua vida foi a primeira com quem casou, mas ela pediu o divórcio um ano e três meses depois da ida ao altar.
Tornou-se incendiário por mor da segunda:
"Ela trabalhava em casa do patrão. Eu comecei a desconfiar. Ia para lá apanhar kiwis, para levar para a estufa. Comecei a rondar mas nunca consegui descobrir. Um dia cheguei lá e deitei fogo ao palheiro, que era do patrão. Vinguei-me deles. A polícia nunca descobriu".
O ciúme ardia à razão da impotência: "Por mais voltas que dei, continuei sem os apanhar. Deitei-lhe fogo a outro palheiro, só que depois pegou à casa da frente. Desta vez fui apanhado. Vi as costas a arder e confessei logo no posto".
M., 41 anos, já está hoje em liberdade condicional. Se mandar a cabeça, tão cedo não volta à penitenciária de Coimbra. Se for o coração a deitar ordens…
"É uma paixão valente. Não posso ir viver para onde ela está. Uma mulher não justifica isto. Quero martelar bem o sistema e acabar com tudo de uma vez. Tenho que ganhar juízo".
M. não matou a mulher, nem o que julga ser amante dela. Vingou-se nos palheiros, Prof. Rui Abrunhosa…
"Vingou-se num bem que era dela, ou do outro sujeito. Canalizou a sua agressividade para um objecto não humano. Há muitas situações deste tipo, fogos postos por vingança, por amores não correspondidos. Há toda uma plêiade de conflitos mal resolvidos pelo sujeito que desencadeia este tipo de acções".
O amor de M. por "ela" queima — "to be alive is to be burning", diz o ditado inglês, M. deita fogo por mor da paixão, corpo empanturrado de fósforos a pedirem luz, um pouco ao modo da Tita de Laura Esquível:
"Tirou da gaveta da sua secretária a caixa de fósforos que John lhe tinha oferecido. Precisava de muito fósforo no corpo. Começou a comer um a um os fósforos que a caixa continha. Ao mastigar cada fósforo fechava os olhos com muita força e tentava reproduzir as recordações mais emocionantes entre Pedro e ela… Quando o fósforo que mastigava fazia contacto com a luminosa imagem que evocava, o fósforo acendia-se".

"DEUS NOSSO SENHOR ESTAVA LÁ, E NÃO DEIXOU ARDER
O DEPÓSITO DE GÁS"

J., de Tomar, desgraçou-se por causa da prima. Não suportava vê-la objecto do disfrute dos homens. A prima tinha dois amantes:
"Um dia fui às perdizes e lá estava ela, dentro dum Fiat, toda descomposta, um pela frente, outro por trás".
J. diz que foi a prima a matar o pai dela, "à pancada mais os dois amantes". O corpo do tio de J. foi encontrado por umas crianças. J. foi à morgue: "Vi o tio Augusto com os miolos de fora".
Um dia a prima contou tudo a um compadre dela, o compadre dividiu o segredo com J.:
"Só pode ser duma maneira. Bebo uns copos valentes e vai disto. Agarrei na faca da cozinha, dei uma pezada na porta dela, fiz-lhe um corte. Mas oito dias depois a artista já andava na festa dos tabuleiros, em Tomar".
O tio Augusto ainda não estava vingado:
"Peguei num isqueiro, deitei fogo a uma peça de roupa, e ardi-lhe com a barraca onde ela vivia. Não estava ninguém lá dentro. Deus Nosso Senhor estava lá e não deixou arder o depósito de gás. Fiz aquilo de madrugada, depois fui para casa descansar".
Preso em Janeiro de 1995, foi condenado a 11 anos. Já cumpriu cinco:
"Antes disso eu tinha estado de pena suspensa por desordem, os copos. Três anos de pena suspensa".
Alivia o calvário da pena invocando o sagrado amor paternal:
"Também sou pai. Então criar uma filha com tanto sacrifício e depois matar assim um pai à porrada!"

"NUNCA TIVE A IMAGINAÇÃO DE PENSAR QUE ESTAVA A FAZER MAL"

D., de Cantanhede, 30 anos, condenado a quatro de prisão. Era pedreiro e bombeiro, negou tudo ao juiz, manteve a nega ao jornalista.
A assistente social do Estabelecimento Prisional Regional de Coimbra descodifica:
"Ele não consegue assumir perante ninguém os actos cometidos. Nem para ele próprio, não consegue viver com isso, assumir que pôs os fogos. Os seus amigos são todos bombeiros".
A., 38 anos, lavador de carros e antes "dumperista", esse contou tudo, diz que foi D. quem o instigou a pegar os fogos:
"Vamos acolá fazer uma coisa ao meio da mata. Tu ateias naquele canto e eu ateio ali" ¬ diria o bombeiro ao lavador, versão deste.
"Às vezes ele dava-me dinheiro para a gasolina, mil paus. Eu levava aquilo como uma brincadeira. A moto era minha, mas era ele que conduzia. Era quase sempre às duas, duas e meia da tarde. Ele depois ia para os bombeiros, e eu vinha trabalhar".
Foram apanhados:
"Não sabia que aquilo dava cadeia. Nunca tive a imaginação de pensar que estava a fazer mal".
A.não quis estragar uma das regras de comportamento dos incendiários: quase sempre aparecem a combater o fogo de sua autoria. É preciso estar de frente para o fogo, beber o prazer das chamas. Até chispar o fósforo, aumenta a tensão e a ansiedade; assim que as labaredas começam a subir, há um intenso prazer e descarga emocional:
"As cores do fogo são belas. Isto é como uma droga, parece que as chamas libertam morfina" — confessava há dias um pirómano alemão no programa "Le feu, una histoire brûlante", do ARTE.
"Não sei como é que funcionava a minha cabeça aí. Pegar e depois ir combater. Era dos primeiros a chegar ao fogo" — confidencia-nos A., magoado por ter sido enganado pelo bombeiro:
"Ele começou a iludir-me para eu ir para os bombeiros, que iam comprar motas novas e eu depois entrava. Isto que eu lhe estou a dizer não me vai fazer mal, pois não?"
Então porquê?
"Antes da prisão andou-me a rondar um senhor dum Mercedes branco, se eu contasse alguma coisa que me limpava o sarampo. Uma vez encostou-me à borda e tive que ir à valeta. Era forte, não tinha bigode e sem óculos. Não tentei tirar a matrícula do carro porque não se via. Era assim de média altura".
A. nunca passou da primeira classe e até tem "uns papéis do hospital psiquiátrico". Casado, um filho:
"Liguei há dias para casa, ela está a pedir o divórcio. Estou sem mulher e sem filho. Sem mulher e sem filho…"
E como lhe custa a solidão. Quando soube da decisão da mulher em se apartar, andou pelos corredores da prisão a gritar "Mas eu amo-a! Mas eu amo-a!"

"EU SEI QUE ISTO QUE ACONTECE COMIGO É O DESTINO. EU SEI PORQUE SOU RELIGIOSO"

V., 38 anos, de Figueiró dos Vinhos. Condenado a 13 anos, cumpriu dez:
"Não tenho estudos. Os meus pais eram pobres. Sei fazer o meu nome e trabalho em máquinas com números, máquinas de lavar roupa".
É o "chegado a mais velho" de dez irmãos, dois já falecidos.
Reincidente, ainda não tinha 20 anos quando foi condenado vez primeira:
"Foi por brincadeira, eu mais três rapazes, em Agosto, apanhámos um foguete que não estoirou e lançámos o foguete, depois chamámos os bombeiros e ajudámos a combater. Dessa vez apanhei quatro anos, e acho bem".
Saiu, para regressar breve à cela:
"Zanguei-me com os meus irmãos, por causa das partilhas do meu outro pai, que eu sou filho de pai incógnito. Eles estavam a prejudicar a minha mãe. E eu nesse dia até tinha um copito a mais, disse-lhes que qualquer dia queimo isto tudo e queimei mesmo. A 10 de Agosto [1989] entreguei-me. Fiquei preso como suspeito, e o comandante do posto obrigou-me a dizer fogos que eu não pus, não senhor".
V. não sai da prisão:
"Por ser um bocadinho reincidente não me dão precárias".
E confessa vida triste, mesmo quando fora:
"Tive uma infância triste, vida pobre, guardava cabras. Passei momentos muito tristes. Sei que já é tarde para ter uma vida linda no fim disto tudo, mas queria ter uma vida linda, que sou um homem cheio de saúde. Tenho poucos amigos, se tivesse mais amigos… Há dois rapazes da minha infância que estão bem, outro está mal, nas drogas".
V. pega fogos porque nasceu para os pegar:
"Eu sei que isto que acontece comigo é o destino. Eu sei porque sou religioso".

"SEM O VINHO DOU-ME BEM COM TODA A GENTE"

L. está condenado a 12 anos. O seu destino tem a força do vinho que não consegue largar:
"Eu sem vinho posso ir a pé daqui para Espanha que não faço medo a uma formiga!"
Anda a fazer tratamento, já está há dois meses sem beber:
"Sem o vinho dou-me bem com toda a gente. Muitos chamam-me incendiário mas eu não me considero. Fiz aquilo porque estava bêbado".
Saíra há pouco da prisão, em 1992. Andava ao dia fora, nas obras. O ambiente, na aldeia de Miranda do Corvo onde vivia, não era o melhor entre os vizinhos:
"Nós somos pobres, e depois do trabalho íamos à lenha para a lareira. Os vizinhos começaram a ralhar connosco. Um deles chamou puta à minha mãe sem a minha mãe o ser. E a mim que poisasse o molho da lenha, senão partia-me o pescoço. Olhe, com a bebedeira passou-me o nevoeiro pela tola e vai disto. Tinha 18 anos, também era um bocado rebelde".
Foi acusado de atear 23 incêndios, em tribunal provou-se a autoria de três:
"Tenho mau vinho. O vinho é que deu cabo da minha vida".

L. não se acha na pele de incendiário, M. é "um bocadinho reincidente" mas ama a floresta:
"Quando vou dar um passeio gosto de ver a paisagem linda. Deviam incentivar os jovens a não fazerem mal à floresta. As árvores não fazem mal a ninguém, só que há muita gente por trás disto tudo, e os pobres por um bocadito de dinheiro fazem aquilo a mando dos ricos".
M., quando sair, até gostava de ser bombeiro:
"Se me aceitassem como bombeiro, hoje em dia, até que era bom!"
Alguns são aceites, até se descobrir o pior. Como António, de Loriga, fogos postos em 1990. Nas palavras de um elemento da direcção dos bombeiros, "era um pobre diabo que não sabia ler nem escrever, e que nós recolhemos por caridade nas nossas instalações".
Em Óbidos, 1996, um bombeiro expulso da corporação foi acusado de ter ateado sete fogos. Actuava por despeito, e por gostar de ver as chamas. Aparecia sempre para ajudar no combate.
Razões desta "mélange"? Madalena Alarcão, da Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra, lembra que alguns bombeiros são levados a transgredir "não pela intenção de pôr um fogo, mas para desencadear uma situação de risco, desafiando os elementos naturais para testar a força humana neste campo".
Vittorio Leone, professor na Universidade italiana de Potenza, estudou o fenómeno na Sicília: "Muitos dos fogos são postos por bombeiros para justificarem o salário e conseguirem mais uns dias de trabalho".
Rui Abrunhosa lembra-nos que os bombeiros, polícias, militares, exercem profissões que exigem dos seleccionados um alto grau de controle das suas emoções:
"Trabalham numa franja entre o desviante e o normativo. O problema está muitas vezes na selecção deficiente, ou até mesmo na ausência dessa selecção".

O Instituto Nacional de Polícia e Ciências Criminais encomendou a um reputado grupo de investigadores universitários, equipa dirigida pelo Prof. Rui Abrunhosa, a tarefa de caracterizarem sócio-psicologicamente o incendiário português. Há anos atrás, tentativa idêntica baqueou por falta de verbas.
Portugal não é o único que tartaruga nestes estudos:
"Conhecer a psicodinâmica do incendiário pode constituir uma ajuda inestimável para o investigador. Historicamente" — recorda o investigador americano Oley Rider —, "o estudo científico do fogo posto e do comportamento do incendiário tem sido disperso e incompleto. Embora o fogo posto sempre tenha representado uma grande ameaça para a sociedade, muito pouco interesse tem despertado no que se refere a compreender o incendiário como um tipo de delinquente e muito menos ainda para traçar a etiologia do fogo posto".

Os primeiros dados do estudo português serão conhecidos em meados deste mês de Junho, que o perfil completo só se promete para o ano 2000.
Até lá, os políticos e demais actores deste nebuloso território dos fogos de Verão, decerto continuarão a esconder insuficiências e incompetências agitando o espantalho do incendiário.
Sem rosto escancarado, com a voz sumida no fundo da cela, os traços podem correr soltos, desenho ao gosto de cada um. Há anos, Manuel Monteiro, então líder do CDS/PP, denunciou mão estrangeira no esquema, porventura espanhóis. Um autarca que também comanda bombeiros desceu de um helicóptero para apanhar um incendiário. As televisões chamaram um figo ao acto. Mais tarde teve que pedir desculpa, porque o caçado era o dono do pinhal, e andava a ver os estragos. O mesmo destemido comandante, em vésperas de eleições, candidato que era a deputado pelo círculo de Coimbra nas listas do PSD, vaticinou que "caso se analisassem a fundo as causas dos fogos, os partidos da oposição ficariam com as orelhas a arder".
Já houve comandantes que, na voragem da câmara de televisão que todo o bom senso engole, propugnaram fogueira para os assassinos dos pinheiros e demais mato.
Dias Loureiro, quando Ministro da Administração Interna, também usou a "mão invisível" e tenebrosa para justificar o aumento de labaredas agostinas. Guterres guardou o espantalho nos primeiros verões do seu governo, os verões da chuva. O ano passado, quando a água do céu minguou, cedo tirou o incendiário da gaveta.
À falta de estudos científicos, todos se dão ares de piromantes, praticando, com burla, a pretensa arte da adivinhação pelo fogo.
Em discurso directo, o traço do perfil do incendiário luso é muito mais prosaico, vagueando por contornos indefinidos, num misto de loucura, amores recalcados, vertigem da vingança, muito álcool à mistura.
Tenebrosos, ou simples desgraçados?



Dinis Manuel Alves
Maio de 1999

Publicado no semanário “Jornal de Coimbra”




Data: 2006-01-17
Autor: Dinis Manuel Alves

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