Autor
Contactos
Links
Espaço DMA
Os meus sites
Promoções, Silêncios, Desvirtuações
Terceiro Mundo em Notícias
Foi Você que Pediu um Bom Título?
YouTube
VÍDEOS EM DESTAQUE
Twitter
Facebook
Rádio BLIP
PODOMATIC DMPA
Manchete
Slideshare DMPA
Slideshows DMA
Torga em SMS
Centenário da República
Sítios dos meus alunos
Espaço A
Media Critics
Polémicas
Derrapagens
Da Condição de Jornalista
Educação para os Media
Fotografia
Fotojornalismo
Internet
Blogosfera
Televisão
Imprensa
Rádio
Agências Noticiosas
Design Gráfico
Publicidade
Público & Privado
Leituras
Revival
Vária
Recreio

 Inquérito









 Velvet Secret

Velvet Secret
Queima das Fitas, Coimbra, Maio 2007
Get flash player to play to this file



VENDA DO MATERIAL AO "FIGARO-MAGAZINE" PÕE EM XEQUE DIRECÇÃO DA AGÊNCIA
Fotos de Rezala Abrem Crise na AFP As condições duvidosas em que a Agência France Presse (AFP) comprou e vendeu fotografias do argelino Sid Ahmed Rezala, tiradas dentro da prisão de Caxias, onde este se encontra encarcerado como principal suspeito em três crimes cometidos em França, fragilizam a direcção daquela agência noticiosa francesa. Os jornalistas aprovaram uma moção de censura que visa directamente o presidente da AFP, Eric Giuily, cuja demissão foi reclamada oralmente numa assembleia geral, antes do voto.

As fotos do argelino, alcunhado o "assassino dos comboios", foram tiradas na prisão por um outro prisioneiro, que as teria vendido à AFP por 60 mil francos (1800 contos). A agência enviou uma pessoa a Lisboa para concluir a transacção com a advogada do prisioneiro e trazer o rolo fotográfico para Paris. Mas só duas fotos foram distribuidas aos jornais assinantes da AFP, e uma delas seria logo suspensa, por causa de sérias dúvidas quanto à identidade da pessoa nela fotografada.

Estes elementos eram já alvo de uma polémica na AFP e nos meios jornalísticos franceses: devia-se, ou não, comprar fotos nestas condições? Deve-se, ou não, difundi-las, quando se ignora se o principal interessado sabia sequer que fora fotografado (ele aparece a dormir em várias fotos), nem se Rezala aceitava a difusão da sua imagem dentro da prisão.

Mas a polémica degenerou em mal-estar quando se descobriu que o resto das fotos foi vendido em segredo ao "Figaro-Mazazine" por cerca de 15 mil contos, para ilustrar uma controversa entrevista de Rezala. Ora, os estatutos e os contratos da AFP proibem-na de vender "exclusivos", ou seja, de reservar notícias ou material fotográfico só para um jornal.

Eric Giuily reconheceu que "o que aconteceu merece um debate". Por seu lado, Denis Brulet, director de informação da AFP e cuja demissão é também reclamada pelos jornalistas, reconheceu que se sente "pouco à vontade com a ideia de que o dinheiro pago pela AFP possa ter ido parar ao bolso de um prisioneiro". Brulet qpresentou a sua demissão, mas a direcção recusou aceitá-la. Uma parte do serviço fotográfico da AFP sente-se visado por esta polémica, que lhe parece merecer um tratamento menos acalorado: "Nas Filipinas ou na Tchéchénia, temos de pagar a pessoas que têm as mãos sujas de sangue para podermos trabalhar. É preciso ter isto em conta", frisou um fotógrafo interrogado pelo jornal "Libération".

Alguns trabalhadores da AFP pensam que os sindicatos também se servem do caso para reforçarem a batalha que os opõe a Eric Giuily. O presidente da agência viu gorada há um ano a sua tentativa de privatizar parcialmente a AFP. Muitos jornalistas viam, no capítulo financeiro deste projecto e nas obrigações que ele acarretava, uma ameaça para a deontologia e para a própria independência da agência. Ora, o projecto ressuscitou esta semana pelo intermédio de uma proposta de lei introduzida na agenda do Senado por um senador gaullista.




Data: 2006-06-21
Autor: Ana Navarro Pedro (em Paris)

© 2005-2013 - Mediapolis - Design by Ectep