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 Velvet Secret

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Queima das Fitas, Coimbra, Maio 2007
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Notícias-Guiness A estatística traz consigo uma visão do mundo
Francis James e Hervé Brusini (*)

Um dos critérios de noticiabilidade é, inquestionavelmente o número ou a quantidade. Número de manifestantes, número de feridos, número de gémeos…
Cifras que “esticam” quando aliadas a outras virtudes, como a resistência ou o sofrimento. Ao Santuário de Lourdes já se chega rápido, hoje em dia, 2000 kms não são nada, mas se feitos a pé merecem notícia, de certeza absoluta.
O cidadão comum já domina este mecanismo de penetrar nos telejornais. Basta-lhe seguir o “método Guiness”, para conseguir os tão desejados segundos de glória na cobiçada pantalha.

Em Mira, 2.000 crianças vestiram-se de palhaço, para entrar no “Guiness Book”. De imediato conseguiram entrada no telejornal da TVI (28.05.1997).
Por Estocolmo, o número foi o mesmo, mas em metros de altura. Lá no alto, muito alto, um intrépido “pássaro humano” saltou de um helicóptero para um balão, o feito destinado ao “Guiness”, a televisão esteve lá.

Como as reportagens com anciãos que chegaram à fasquia dos cem anos se tornaram corriqueiras, há que descobrir novas formas de as justificar. Se cem anos é número que já não impressiona, há que lembrar então o filão de dias que cada ano tem. Multiplicados por cem, dá um número bom para televisão:
“Marcelino José, algarvio com 100 anos de idade e uma saúde para dar e vender. 36.000 dias de vida” — contou a TVI, dia 1 de Junho, um “caso que não é só de longevidade mas também de juventude”, nas palavras do pivot.

A SIC acompanhou outra velhinha de cem anos. Aurora veio do Brasil comemorar o século à terra mãe, Carregal do Sal. A estação de Carnaxide preferiu a multiplicação da prole à multiplicação dos dias: “8 filhos, 12 netos e 15 bisnetos”.
Ao concurso de fotojornalismo de Amesterdão (duas notícias SIC, 19 Maio), apresentaram-se mais de 3.000 fotojornalistas, num total de 36.000 trabalhos.
Em Angola estima-se a existência de 12 milhões de minas, que já fizeram 35 mil vítimas; um incêndio em Jacarta deixou duas mil pessoas sem casa (tudo notícias de dia 19).
Em Portugal, 700 mil pessoas sofrem de osteoporose (dia 22); outro incêndio na Indonésia, resultante de tumultos na campanha eleitoral, fez 134 mortos (dia 25); a CP deu, em 1996, 70 milhões de contos de prejuízo (dia 26); o novo aeroporto de Lisboa vai custar 300 milhões de contos (dia 26); dezenas de milhares de motociclistas ex-combatentes do Vietname desfilam nos EUA chorando os colegas desaparecidos em combate (dia 26).
Uma foca “incómoda” num tanque de arrefecimento causa 250 mil contos de prejuízo por dia (dia19); como a bicha se apresta a ficar vários dias pelo tanque, fará despesa da ordem dos 3 milhões de contos.

A um ano da inauguração, a EXPO 98 é um filão de números, e nenhuma estação carece de repetir os da concorrente, tantos são. A TVI fala em “record” de participações: 135 países (dia 19). Atrairá 8,3 milhões de visitantes; 3 milhões e meio serão estrangeiros. Despesas da ordem dos 362,7 milhões de contos. Receitas da ordem dos 343,5 milhões de contos. Para quem não estiver satisfeito com o défice, há números até 2010: receitas da ordem dos 585 milhões de contos.
Em doze anos um encaixe um pouco superior ao que as TVs anunciam para a EDP, num só dia: a privatização da empresa vai render 400 milhões de contos.
Voltando à exposição que uns trataram como Mundial, outros como Universal, a RTP1, dia 22, fez contas à água: o tanque central do Oceanário, com capacidade igual à de 4 piscinas olímpicas, demora três semanas a encher — “130 milhões de litros por hora para aqui bombeados”.
O tempo urge, será que os 6.500 operários darão conta do recado? Conseguirão acabar a tempo o Pavilhão da Utopia, onde poderão sentar-se 16 mil pessoas? Um pavilhão que vai custar 8 milhões de contos?
Conseguirão concluir horas antes da abertura o vídeo-estádio? Sempre tem 15 mil lugares…

* in “Télévision”, “Le Monde de l’Éducation, de la Culture et de la Formation”, nº 251, Setembro 1997. Artigo “Statistiquement correct”, pág. 35.





Data: 2006-06-21
Autor: Dinis Manuel Alves

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