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Queima das Fitas, Coimbra, Maio 2007
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INVESTIGADOR DE COIMBRA ANALISA MAIS DE TRÊS MIL NOTÍCIAS TELEVISIVAS
Televisão vampiriza notícias de rádio e imprensa

Como surgem as notícias que vemos na televisão? Quais as condicionantes que determinam a agenda da TV? Para responder a estas e outras perguntas, o investigador de Coimbra Dinis Alves analisou os telejornais de quatro estações televisivas portuguesas (RTP1, 2, SIC, TVI) em 1999. Quem burila, de facto, a actualidade?

De um total de 3800 noticiários, foram seleccionadas três semanas, (em Janeiro, Junho e Dezembro), sendo dissecados 215 telejornais, contendo 3659 notícias. Paralelamente, estiveram em análise noticiários emitidos pela Antena 1, Rádio Renascença e TSF, num total de 2344 noticiários das mesmas três semanas. Concomitantemente, o autor da investigação debruçou-se sobre os jornais diários, semanários e revistas publicados nos mesmos meses da amostra escolhida. Para além da pesquisa dos noticiários televisivos e radiofónicos com base nas gravações integrais, Dinis Alves procedeu ainda a observação directa nas redacções das estações televisivas.

Regressemos à pergunta como surgem as notícias que vemos na televisão? A investigação de Dinis Alves dá a resposta. "No conjunto das três semanas de análise, registaram-se 1188 antecipações por parte da rádio imprensa, num total de 1664 assuntos tratados noticiosamente pelas estações de televisão", ou seja "em 71,4 por cento dos casos, a televisão seleccionou para difusão assuntos já previamente noticiados pela rádio e pela imprensa. Já o inverso verificou-se em apenas 9,5 por cento dos casos".

Dadas estes números, Dinis Alves, cujo trabalho resulta na tese intitulada "Mimetismos e determinação da agenda noticiosa televisiva - a agenda montra de outras agendas", assevera que "a agenda noticiosa televisiva é, então, uma agenda-reflexo, uma agenda porosa, sensível em demasia, reverente, oportunista, vampirizando outras selecções". Assegura neste trabalho de investigação, orientado por Francisco Rui Cádima (Universidade Nova de Lisboa), com a co-orientação de Isabel Nobre Vargues (Universidade de Coimbra), que "o jornalismo televisivo surge como um jornalismo de follow-up, jornalismo de ilustração ou de animação da actualidade previamente difundida por outros meios".

Dinis Alves, actual professor de fotojornalismo no Instituto Superior de Ciências da Informação e da Administração de Aveiro (ISCIA) - tendo sido já jornalista da TSF, TVI, Expresso e Jornal de Coim- bra -, atreve-se mesmo a reformular a velha máxima que diz "a rádio dá, a televisão mostra, o jornal explica", passando a ser mais complexa, isto é, "a rádio e os jornais dão, os jornais explicam, a televisão mostra ou anima muito do que a rádio e os jornais deram, mas explicando muito pouco".

Em face dos resultados da investigação, Dinis Alves lançou um apelo, aquando da defesa pública desta tese, na Sala dos Capelos da Universidade de Coimbra, para que se aposte "na educação para os media", por forma a que "se forme uma classe de telespectadores mais esclarecidos, munidos das ferramentas necessárias para uma descodificação inteligente e responsável dos tortuosos mecanismos que, hoje em dia, vão conformando o jornalismo televisivo".

PERFIL
Um jornalista investigador

Dinis Manuel Alves nasceu no Lobito, Angola, em 1958. Licenciado em Direito (1981) e em jornalismo (1999), conseguiu o doutoramen-to em Ciências da Comunicação/Discurso dos Media, pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra já em 2005. Foi deputado à Assembleia da Repú- blica em 1983/85, eleito pelo PS. Iniciou-se no jornalismo em 1989, tendo passado pela TSF, Tal & Qual, Expresso, TVI e Grande Reportagem, entre outros meios. Actualmente lecciona Fotojornalismo na Universidade de Aveiro.

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Data: 2006-06-21
Autor: Paula Carmo (Diário de Notícias)

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