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 Velvet Secret

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Queima das Fitas, Coimbra, Maio 2007
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Brincar no cemitério A muitas crianças brasileiras faltam brinquedos. Mas outras, mesmo que recheadas deles, não têm lugar para brincar. É isso que acontece com a maior parte das crianças que vivem nos morros que cercam a cidade de Santos, no Estado de S. Paulo.

Por Dinis Manuel Alves, 1994

Os morros são zonas pobres da cidade, mas que não se podem considerar favelas. Não existe por ali a miséria e a violência que impera nos ambientes favelados. Mas vivem-se outras dificuldades, a maior parte delas directamente relacionada com a localização das habitações em ravinas bastante íngremes, de difícil acesso.

Os adultos sofrem para conseguir que os distribuidores de gás se disponham a levar as botijas encosta acima; sofrem quando precisam de telefonar e têm de deslocar-se ao fundo do morro, local onde poisou a única cabine pública. Os adultos sofrem, mas as crianças também.

Lamentos que se repartem por novos e velhos têm a ver com a monotonia da vida nos morros:
"Quando havia a delegacia aqui na entrada do morro, a gente se divertia olhando a cara dos presos, mas agora nem isso tem mais!" — afirmava uma moradora do morro a uma equipa de estudantes da Faculdade de Comunicação da Universidade Católica de Santos, que preparava um trabalho sobre as áreas de lazer nos morros santistas.
Os filhos de Luciene Ferreira, esses sofrem porque não têm um sítio para brincar. Os triciclos de pouco servem, porque não foram feitos para trepar degraus. A bola também se não joga nos morros — não há apanha-bolas com fôlego para as vir buscar cá abaixo. E as crianças dos morros de Santos sofrem por isso. E procuram alternativas.
Por exemplo, brincar num cemitério! Custa a acreditar… mas é verdade. O cemitério do morro do Saboó transforma-se em local das brincadeiras dos petizes por falta de opção.A inexistência de qualquer parque infantil, praça ou área livre, transforma o cemitério na única alternativa para manter vivas as brincadeiras de rua das crianças do Saboó.

O acentuado declive do morro funciona como escorrega que conduz as crianças até ao cemitério da Filosofia, que ocupa uma vasta área do sopé da montanha.
Alguns dão corda às pernas no corredor central, outros brincam ao pega-pega, fazendo gincana por entre as campas. Outros aproveitam mesmo para subir para o alto do muro de gavetões de urnas, para daí lançarem a sua pipa (papagaio de papel).
Os adultos que por ali se encontram a ganhar uns tostões fazendo reluzir cobres e esmaltes das campas de endinheirados já não estranham a presença dos garotos. Os guardas do cemitério também não.

"Estão melhor aqui do que a brincar cá em baixo na rua, onde podem ser atropelados a cada instante. E se perguntássemos aos falecidos qual a opinião deles sobre a presença das crianças aqui, eles por certo que estariam de acordo. As crianças são a melhor companhia do mundo, e até ajudam a quebrar o ar triste deste cemitério!" — confidenciava-nos um ancião enquanto olhava com ternura para o neto que se esfalfava por fazer subir o seu papagaio.



Data: 2006-06-11

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