"Ele tinha tudo para ser feliz. Juventude, saúde, talento, dinheiro, o amor de belas garotas. Mas Felipe construiu para si um mundo dark e animal. Tatuou demônios no peito - e foi vencido por eles. Na noite do sábado 17 de abril, um corpo de aparência incomum foi levado pela polícia ao necrotério da Avenida Ipiranga. Tinha duas protuberâncias esquisitas na testa. O médico-legista abriu o couro cabeludo, abaixou a pele até o nariz e se deparou com algo muito raro: dois chifres implantados na carne, feitos de teflon. Cada um era quase do tamanho de uma barra de chocolate Prestígio.
Uma das mais recentes e conhecidas associações entre a mídia e o suicídio nasceu do romance de Goethe Die Leiden des jungen Werther (O Jovem Werther), publicado em 1774. Nesta obra o herói mata-se com um tiro após uma malfadada paixão, e pouco depois da sua publicação muitos foram os casos de jovens que usaram o mesmo método para cometer o suicídio. Isto resultou na proibição do livro em determinados locais. Daí o termo “Efeito Werther”, utilizado na literatura técnica para designar os suicídios imitativos.
(...) Esta questão assume maior visibilidade quando somos confrontados com relatos mediáticos, histórias quotidianas ou experiências pessoais que abordam a temática do suicídio ou das tentativas de suicídio na adolescência. Na análise dessas situações, existe frequentemente uma tendência para criar uma espiral de explicações causais simplistas que associam adolescência a vulnerabilidade, instabilidade, turbulência, crise e a uma emotividade exacerbada. Daí a considerar que os adolescentes se suicidam ou se tentam suicidar por um mal de amor, um desamor ou por amor vai uma distância perigosamente curta e profundamente enganadora.